Nota metodológica
Como os dados do Radar Ciber Brasil são coletados, classificados e exibidos, e o que eles não permitem concluir.
1Natureza do repositório
O Radar Ciber Brasil é uma pesquisa particular em fontes abertas, sem caráter oficial, apuratório ou de investigação. Ele reúne o que veículos de imprensa e órgãos públicos publicaram sobre crimes cibernéticos com ação de autoridade. Cada registro descreve uma notícia; nenhum registro afirma que alguém cometeu crime. Vale a presunção de inocência: pessoas presas, investigadas ou denunciadas são tratadas como suspeitas, e a página não registra nomes de investigados nem de vítimas.
2Escopo
Entram casos de crime cibernético ou fraude digital no Brasil com ação de autoridade noticiada: prisão, operação policial, cumprimento de mandados, indiciamento, denúncia do Ministério Público, bloqueio judicial de valores, derrubada de site ou perfil, desarticulação de central de golpes e apreensão de equipamentos. A base cobre de outubro de 2022 em diante, montada em quatro cargas anuais (out/2022 a out/2023, out/2023 a out/2024, out/2024 a out/2025 e out/2025 a out/2026) e atualizada diariamente, em 17 modalidades de cibercrime, de golpes do PIX e falsas centrais a ransomware, vazamento de dados, deepfake, apostas ilegais e exploração sexual infantil online.
O repositório também registra, em todo o período coberto, ameaças e planos de ataque a escolas que foram frustrados ou interrompidos por ação da polícia ou do Ministério Público, com ou sem componente digital. Ataques consumados ficam fora. Nesses casos, por cautela com o efeito de contágio e com a proteção de adolescentes, o registro não traz nomes, idades, escolas de origem, métodos, armas, comunidades online nem referências a autores de ataques anteriores: descreve apenas a ação da autoridade e o local.
Ficam de fora alertas genéricos sem caso concreto, notícias só sobre vazamentos ou ataques sem ação de autoridade, matérias de serviço, opinião, pesquisas de mercado e casos no exterior sem ação ou vítima no Brasil.
Nos casos de exploração sexual infantil online, o registro se limita ao fato da ação policial (órgão, local, data, mandados, presos e nome da operação), com resumo genérico e sem qualquer detalhe sobre conteúdo.
3Coleta
A base histórica foi montada em levantamentos por trimestre assistidos por inteligência artificial, que percorreram sitemaps diários de portais de notícias, sites de polícias, Ministérios Públicos e veículos regionais. Cada link foi aberto para confirmar data e fatos dentro da própria página. A partir de outubro de 2026, uma rotina diária pesquisa as publicações dos últimos três dias e acrescenta os casos novos.
4Campos e classificação
Cada registro traz data, UF, município, título e resumo próprios, tipo de ação, modalidades, vetor (canal usado no golpe), alvo, números informados (vítimas, prejuízo, presos, mandados e valores bloqueados), órgão, nome da operação e links. A data é a do fato quando a notícia a informa; caso contrário, a data de publicação. A classificação é feita com apoio de IA a partir do texto da notícia e pode conter erros de enquadramento, sobretudo quando o caso mistura modalidades.
5Localização
O local é onde ocorreu a ação policial (prisões ou mandados), não necessariamente onde estão as vítimas ou onde o órgão está sediado. O ponto no mapa fica no centro do município. Quando a notícia não informa a cidade, o ponto vai para a capital da UF e o registro é marcado como localização aproximada. Ações em vários estados ficam registradas na UF principal, com as demais listadas no campo de abrangência.
A opção "Por 100 mil hab." divide os casos de cada UF pela população do Censo 2022 do IBGE, o que permite comparar estados de tamanhos diferentes. A opção "Conexões entre estados" desenha uma linha da UF onde o caso foi registrado até cada UF listada na abrangência; a linha indica que a mesma ação teve mandados ou prisões nos dois lugares, e não o caminho do crime ou do dinheiro.
6Controle de duplicidade
Links idênticos são descartados automaticamente. O mesmo fato noticiado por veículos diferentes vira um único registro, com o segundo link no campo "2ª fonte". Fases distintas de uma mesma operação policial são tratadas como fatos distintos, porque correspondem a ações diferentes em datas diferentes.
7Limitações de coleta
- Não é um censo. Os números mostram o que chegou à imprensa e às notas oficiais, não a criminalidade real.
- A subnotificação em cibercrime é muito alta: a maioria dos golpes nunca vira boletim de ocorrência, e a maioria das ações policiais nunca vira notícia.
- Há viés de cobertura: estados e cidades com mais veículos e assessorias ativas aparecem mais. A carga inicial depende muito de um grande portal nacional.
- As ferramentas de busca têm vieses próprios e filtros de data pouco confiáveis.
- O volume não é comparável entre períodos, porque a intensidade da coleta muda.
- Os dados dependem do texto jornalístico, que pode simplificar ou errar.
- Fontes podem sair do ar ou mudar de endereço depois do registro.
- A deduplicação é imperfeita: um mesmo fato pode aparecer duas vezes se as notícias divergirem muito.
8Limitações de disposição dos dados
- Na visão padrão, o mapa mostra contagem de casos, e estados populosos tendem a aparecer mais escuros. A taxa por 100 mil habitantes corrige esse efeito, mas em UFs pequenas poucos casos já mudam muito a taxa.
- As conexões entre estados dependem de a notícia citar as UFs alcançadas; operações nacionais com muitos estados geram várias linhas a partir de uma única ação.
- Os pontos ficam no centro do município, não no endereço da ação.
- Os totais de presos, vítimas e prejuízo somam só o que as notícias informaram; casos sem número não entram na soma.
- O prejuízo informado costuma ser estimativa da polícia e às vezes acumula vários anos de atividade investigada.
- A soma das modalidades passa do número de casos, porque um caso pode ter mais de uma.
- Em ações conjuntas, só o órgão principal entra no ranking de órgãos.
- Nos casos de ataques a escolas frustrados, a contagem de presos inclui adolescentes apreendidos, quando a notícia informa.
- Algumas datas são aproximadas (data de publicação no lugar da data do fato).
9Uso e correções
O recorte filtrado pode ser exportado em CSV ou JSON, e o botão "Copiar link" gera um endereço que abre o painel com os mesmos filtros e opções de mapa. Cada registro da tabela tem um atalho "reportar erro" que abre um e-mail já identificado com o código do caso. Para citar: "Radar Ciber Brasil, pesquisa em fontes abertas, consultado em (data)", sempre com o link para a fonte original do caso. Correções, pedidos de remoção e sugestões podem ser enviados para osinthunterbrasil@gmail.com.
10Dicionário de dados
Campos dos arquivos exportados em CSV e JSON:
- id: código do registro (C0001 em diante); data: data do fato ou, na falta, da publicação (AAAA-MM-DD).
- uf, mun, ibge, lat, lon: local da ação; geo_aprox indica ponto na capital por falta de município; abrangencia: outras UFs alcançadas.
- titulo e resumo: texto próprio do repositório, sem nomes de pessoas.
- tipo: prisao, operacao, mandados, denuncia, bloqueio, derrubada ou outro.
- modalidades: uma ou mais das 18 categorias do filtro; vetor: canal usado; alvo: perfil das vítimas.
- vitimas, prejuizo_rs, presos, mandados, bloqueio_rs: números só quando a notícia informa; qtd: descrição textual dos números.
- orgao e operacao: órgão principal e nome da operação; link, link2 e fonte: notícias de origem.
- origem e inserido_em: carga que trouxe o registro e data de inclusão na base.